Leonardo Boff - Triplo II: O blog do TriploV - Revista TriploV de Artes, Religi�es e Ci�ncias
 
 
 

Atualmente grande parte da economia � regida pelo capital financeiro, quer dizer, por aqueles pap�is e derivativos que circulam no mercado de capitais e que s�o negociados nas bolsas do mundo inteiro. Trata-se de um capital virtual que n�o est� no processo produtivo, este que gera aquilo que pode ser consumido. No financeiro, reina a especula��o, dinheiro fazendo dinheiro, sem passar pela produ��o. Vigora um perverso descompasso entre o capital real e o financeiro. Ningu�m sabe exatamente as cifras, mas calcula-se que o capital financeiro soma cerca de 600 trilh�es de d�lares enquanto o capital produtivo, do conjunto de todos os paises, alcan�a cerca 63 trilh�es. Logicamente, chega o momento em que, invertendo a frase de Marx do Manifesto, “tudo o que n�o � s�lido se desmancha no ar”.

 

Leonardo Boff

A reiven��o do capital/dinheiro

Te�logo, fil�sofo, escritor e representante da Iniciativa Internacional da Carta da Terra

 

Foi o que ocorreu em 2007/2008 com o estouro da bolha financeira ligada aos im�veis nos EUA que representava um tal volume de d�vidas que nenhum capital real, via sistema banc�rio, podia saldar. Havia o risco da quebra em cadeia de todo o sistema econ�mico real. Se n�o tivesse havido o socorro aos bancos, feito pelos Estados, injetando capital real dos contribuintes, assistir�amos a uma derrocada generalizada.

Esta crise n�o foi superada e possivelmente n�o o ser� enquanto prevalecer o dogma econ�mico, crido religiosamente pela maioria dos economistas e pelo sistema com um todo, segundo o qual as crises econ�micas se resolvem por mecanismos econ�micos. A heresia desta cren�a reside na vis�o reducionista de que a economia � tudo, pode tudo e que dela depende o bem-estar de um pais e de um povo. Ocorre que os valores que sustentam uma vida humana com sentido n�o passa pela economia. Ela garante apenas a sua infra-estrutura. Os valores resultam de outras fontes e dimens�es. Se assim n�o fosse, a felicidade e o amor estariam � venda nos bancos.

Este � o transfundo do livro de alta divulga��o Reinventando o capital/dinheiro de Rose Marie Muraro (Id�ias e Letras 2012). Rose � uma conhecida escritora com mais de 35 livros publicados e uma diligente editora com cerca de 1600 t�tulos lan�ados. Num intenso di�logo, juntos trabalhamos, por mais de vinte anos, na Editora Vozes. Dois temas ocupam sempre sua agenda: a quest�o feminina e a quest�o da cultura tecnol�gica. Foi ela quem inaugurou oficialmente o discurso feminino no Brasil escrevendo livro com um m�todo inovador: A sexualidade da mulher brasileira (Vozes 1993). Com um olhar perspicaz denunciou o poder destruidor e at� suicida da tecno-ci�ncia, especialmente, em seu livro: Querendo ser Deus? Os avan�os tecnol�gicos e o futuro da humanidade (Vozes 2009).

Neste livro Reinventando o capital/dinheiro faz um hist�rico do dinheiro desde a mais remota antiguidade, seguindo um  esquema esclarecedor: o ganha/ganha, o ganha/perde, o perde/perde e a necess�ria volta ao ganha/ganha se quisermos salvar nossa civiliza��o, amea�ada pela gan�ncia capital�stica.

Na Pr�-Hist�ria predominava o ganha/ganha. Vigorava o escambo, isto �, a troca de produtos. Reinava grande solidariedade entre todos. No Per�odo Agr�rio entrou o dinheiro/moeda. Os donos de terras produziam mais, vendiam o excedente. O dinheiro ganho era emprestado a juros. Com os juros entrou o ganha/perde. Foi uma bacilo que contaminou todas as transa��es econ�micas posteriores. No Per�odo Industrial esta l�gica se radicalizou pois o capital assumiu a hegemonia e estabeleceu os pre�os e os n�veis de juros compostos. Como o capital est� em poucas m�os, cresceu o perde/ganha. Para que alguns poucos ganhem, muitos devem perder. Com a globaliza��o, o capital ocupou todos os espa�os. No af� de acumular mais ainda, est� devastando a natureza. Agora vigora o perde/perde, pois tanto o dono do capital como a natureza saem prejudicados. No Per�odo da Informa��o criou-se a chance de um ganha/ganha, pois a natureza da informa��o especialmente da Internet � possibilitar que todos se relacionem com todos.

Mas devido ao controle do capital, o ganha/ganha n�o consegue se impor. Mas sua for�a interna ir� inaugurar uma nova era, quem sabe, at� com uma moeda universal, sugerida pelo  economista brasileiro Geraldo Ferreira de Araujo Filho, cujo valor n�o incluir� apenas a economia mas valores  como a educa��o, a igualdade social e de g�nero e o respeito � natureza e outros. Rose aposta nesta l�gica do ganha/ganha, a �nica que poder� salvar a natureza e nossa civiliza��o.
 

  O livro de Rose Marie Muraro pode ser adquirido por 0800 160004.
   
   
   
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